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segunda-feira, 13 de maio de 2013

[APOLOGÉTICA] Evangelho verdadeiro sem sinais e milagres é possível?





Por André R. Fonseca


É muito comum encontrar legiões de crentes a busca de sinais e maravilhas. Boas igrejas são aquelas cheias do poder de Deus. Mas o que é demonstração do poder de Deus? Será apenas as operações de milagres?

É o culto que tira caroço, que expulsa demônios, cura as mais variadas doenças, entrega revelação, e até, quem diria, emagrece! O culto da vitória financeira, pobres que viram ricos empresários, dívidas pagas miraculosamente, portas abertas para as mais concorridas vagas de emprego. E para quem não dá muita trela para o dinheiro, mas anda mal do amor: Deus traz sua mulher amada em 3 dias!

Os batistas não têm poder, dizem eles. Eles não têm o Espírito Santo, não têm fogo. Vamos naquela igreja na qual o fogo cai e sinais e maravilhas acontecem! Vamos em busca do poder de Deus e suas manifestações...

O problema é que Jesus chama esse tipo de “crente” de geração incrédula. Apesar de os sinais acompanharem Jesus como prova de sua divindade, de sua missão messiânica, foi justamente esta a alegação de Cristo ao responder os enviados de João Batista: vocês não precisam esperar por “outro messias”, reportem a João que cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e os pobres recebem o evangelho.

Os pobres recebem o evangelho... Aqui está uma resposta que ninguém dá atenção! O maior milagre de Deus hoje em nosso meio é o poder transformador do evangelho nas vidas das pessoas que se entregam a Cristo. A transformação do coração corrupto do homem pelo poder do evangelho por meio da ação do Espírito Santo é o maior milagre que pode acontecer diante de nosso olhos. Curar a alma é maior sinal do que curar a carne. Inimigos de Deus são feitos amigos, e quando Deus faz o homem caído cruzar esse abismo que o separa de Deus é um feito maior do que cruzar a Baía de Guanabara a pés secos à semelhança do que foi realizado nos dias de Moisés.

É possível ter evangelho verdadeiro sem sinais e maravilhas? É claro que é! Primeiro, porque precisamos redefinir o que chamamos de milagre e maravilha. O receber o evangelho é parte dos sinais maravilhosos do Messias. Ele mesmo nos ensinou que nossa fé deveria estar depositada naquilo que dura para a eternidade. A cura física, ou qualquer outro benefício desta vida, fica por aqui, e você pode até participar de algumas dessas bençãos e ainda ir para o inferno. Receber o evangelho tem valor para essa vida e para a próxima.

E segundo, para chegar onde queria chegar, somente a pregação cristocêntrica pode ser classificada como verdadeiro evangelho, ainda que desprovida de sinais e maravilhas!
“Ele voltou de novo para o lado leste do rio Jordão, foi para o lugar onde João Batista tinha batizado antes e ficou lá. E muita gente ia vê-lo, dizendo: — João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade. E naquele lugar muita gente creu em Jesus.”João 10:40-42

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Uma conversa entre Richard Dawkins e C. S. Lewis acerca de Jesus


Richard Dawkins (talvez o mais destacado militante do ateísmo na atualidade), apesar de considerar a fé em Deus um absurdo, não nega a existência de Jesus como personagem histórico, e recentemente fez a seguinte declaração: “Jesus foi um grande mestre moral. [...] Uma pessoa tão inteligente como Jesus teria sido ateu se soubesse o que sabemos hoje”.

Certamente, quem faz tal afirmação acerca de Jesus, ou desconhece suas declarações acerca de si mesmo, ou intencionalmente as descarta para fazer um discurso mais aceitável aos ouvintes.

Ao ler a declaração de Dawkins, lembrei de uma conhecida observação feita por C. S. Lewis, em seu livro Cristianismo Puro e Simples. Acredito que seja oportuno reproduzi-la aqui, pois consiste numa boa resposta à Dawkins. Poderíamos imaginar essa conversa.

“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Essa é a unica coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la”.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Problema do Julgar: Até Onde Ir com a Tolerância?


Por Cleber Olympio

"Quem é você para julgar teu próximo? Acaso estás se colocando na posição de Deus?"

Um dos argumentos mais usados em debates apologéticos, em quaisquer fóruns de debates - cristãos e não cristãos - versa sobre a questão do julgamento. Boa parte deles é derivada da famosa passagem bíblica, tratada como se texto de lei fosse: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." (Mateus 7:1-5). Acontece que, como sabemos, muitos equívocos são cometidos quando alguém tira a passagem bíblica de seu contexto, e termina por deturpar o ensino bíblico sobre a questão do julgamento.

1. Da necessidade de julgar

Afinal, qual a raiz do problema? O ser humano, até como instinto de autoproteção, começa a colocar - ou até a impor - freios numa situação de conflito. É, de fato, desagradável uma sensação de antagonismo, vinda de quem quer que seja. Se a pessoa consegue se armar, inclusive psicologicamente, é um bom aspecto; difícil é quando a pessoa se sente acuada, sem ter como enfrentar a força contrária. Restam-lhe alternativas possíveis: render-se, atacar ou o escape. Render-se fica sem cogitação; atacar só é possível com as armas certas; daí que lhe vem, até como meio instintivo de sobrevivência, buscar um escape. Nisso vem a problemática do "não julgar" que, como colocado pelo argumento da tolerância, não possui qualquer validade, senão é uma tentativa errônea e grosseira de se fugir de uma questão.

Esse instinto de sobrevivência, em nome da cordialidade e da tolerância, mascara por vezes uma atitude arrogante de quem não admite a perda, diante de evidências ou argumentos mais fortes. Escorar-se numa pretensa base bíblica não conduz a nada, mas acaba sendo uma alternativa contra quem levanta o argumento e também não está devidamente protegido contra a "falácia do não julgar". Falácia é um argumento que possui a aparência de verdade e legitimidade, mas que no fundo esconde uma enorme mentira.

A cordialidade e a tolerância, levada a limites fora da normalidade, conduz a um comportamento incoerente e insensato. O crente é levado pelo seu Senhor a provar pensamentos e atitudes, a exercer suas faculdades mentais para promover uma análise de tudo o que se lhe apresenta aos olhos. Não fosse assim, Paulo não teria recomendado aos crentes: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Em outra passagem, o mesmo Paulo exorta aos coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" (2 Coríntios 13:5). Os crentes de Bereia examinavam as Escrituras para conferir se o que os apóstolos ensinavam era, de fato, verdade (Atos 17:11). Jesus mesmo manda que exerçamos nosso discernimento, examinando as Escrituras (João 5:39). Examinar, analisar, pesquisar, procurar, são atitudes do intelecto, que precisa exercer sua capacidade de juízo. Julgar, então, é necessidade de quem caminha com Jesus. Obedece-se aos mandamentos somente por meio da análise de uma situação real e com o juízo transformado pelo poder da Palavra de Deus, a fim de se produzir uma atitude. Se o crente não pudesse julgar, como viveria a realidade dos mandamentos de Cristo? Seria ele submisso a dogmas, impostos por um deus raivoso e mesquinho, que se preocupa tão somente em exigir comportamentos diversos de uma civilização, já corrompida pelo pecado? Entendemos que não. Deus sempre mostra, por toda a Bíblia, que sua Palavra tem finalidade educativa. Os versículos áureos sobre a importância das Escrituras demonstram plenamente esse fator: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Timóteo 3:16-17).

Vê-se, então, que há coerência na atividade do julgar, inclusive por necessidade de se viver uma vida cristã autêntica, com plena capacidade de discernimento, orientado em obediência às Escrituras. Outro aspecto é a condução necessária do crente na atividade julgadora, uma vez que ele deva examinar todas as coisas e reter o que é bom. Sendo assim, por que pautar-se numa suposta tolerância e expressão de cordialidade para supostamente eviatr um confronto?

2. Do julgamento justo

Aparentemente a tolerância ensinada por Jesus deva ser observada em quaisquer circunstâncias. Cita-se também a passagem em que Jesus liberta a mulher adúltera, partindo-se do seguinte encadeamento de ideias: "Jesus condenou quem tivesse pecado e perdoou a adúltera - Ora, Jesus tem o poder de julgar alguém, e sou pecador - Logo, eu não posso julgar ninguém". Esse raciocínio também é falacioso. A inferência à primeira afirmativa não leva em consideração que Jesus usou-se de um julgamento com um importante adjetivo: "justo". Nisso ele exerceu um julgamento coerente, dada a situação em que se apresentava a condenação pura e simples de uma adúltera, sendo que seus algozes cometiam adultério e coisas até piores aos olhos de Deus às escondidas. O sentido do ensino de Jesus era demonstrar a força do perdão divino a quem cometeu uma série de pecados, não de produzir apenas um julgamento e execução de sentença conforme a Lei de Moisés. Caso ele apenas condenasse a adúltera, demonstrando somente a necessidade da aplicação da lei, que estaria fazendo, senão uma repetição de atos de pecadores, embora ele mesmo não tivesse pecado? Seu ensinamento estaria em franca contradição, ainda mais sendo Jesus conhecedor dos corações de cada um da multidão que se preparava para lapidar a mulher pega em adultério.

Com isso, havemos de discernir sobre o julgamento justo. Deus tem sua medida de justiça, e com ela exorta os homens: Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?" (1 Coríntios 6: 2-4) Em todos os períodos há a certeza de que os santos haverão de julgar, seja o mundo, os anjos, ou até mesmo as coisas pertencentes a esta vida. O dever de um santo é julgar. Santo é aquele separado por Deus para constituir um povo eleito e para exercer, perante todos, as ordens de seu Pai celeste no que este comandar. Se isso deve ser feito até entre irmãos - versículo 5: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" - quanto mais no que diz respeito a outros assuntos, conforme a necessidade?

A restrição bíblica que se faz a esse respeito está exatamente no termo "justo". Julgamento sem justiça produz injustiça. Se Deus investe os seus santos crentes com a capacidade de a tudo julgarem, Ele o faz requerendo justiça; caso contrário, não é julgamento que proceda do Deus cujo nome é Justiça. Deus requer que o homem faça justiça: "Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar" (Isaías 56:1). Repare o leitor acerca da importância de se praticar a justiça, a fim de que a própria justiça divina se manifeste. Não fosse assim, por que Deus incluiria na lei mosaica o mandamento de não se fazer injustiça no juízo (Levítico 19:15)? O justo age exatamente como o salmista: "Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores." (Salmos 119:121). Deus ama a justiça e o juízo (Salmos 33:5); naturalmente, seus filhos amados haverão de observá-la e exercê-la e, ao agirem assim, nada mais farão do que a vontade do Pai.

Sendo assim, fazer julgamentos e exercer a justiça é próprio de quem caminha com Deus, conquanto o faça com a mesma motivação justa de seu Pai celeste. Se, porventura, o crente distorce a justiça, e passa a julgar por seu próprio entendimento, sem que haja fundamento baseado na verdade da Palavra de Deus, ele proferirá um julgamento injusto. Ele se tornará um hipócrita, que não enxerga as próprias falhas e vê as menores praticadas por seu irmão, assim como Jesus diz no texto de Mateus 7. Ele se tornará inimigo da verdade e condenado a suportar o mesmo fardo de justiça que tentou impor a quem não tinha culpa. Nisso estão as opiniões puramente pessoais, baseadas por vezes em suposições preconceituosas e relegadas a costumes, sem qualquer embasamento bíblico; isso também esconde um comportamento legalista ou ascético, que impõe a dureza da letra da lei para que o incauto, debaixo de uma força normativa, venha a se calar e a acatar os mandamentos como lhe são apresentados, sem ponderar. O mesmo comportamento legalista é aquele que provoca a simples conclusão de que "o crente não deve julgar", contrariando João 7:24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".

Outro texto usado pelos defensores do "não julgar" encontra-se em Romanos 14:10: "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo". A solução para esse aparente problema encontra-se justamente na segunda questão: "por que desprezas teu irmão?" Ora, se há desprezo por parte de quem julga, então o julgamento é parcial, interesseiro. Logo, não é justo, e não deve ser feito. O julgamento com justiça persiste, portanto.

3. O comodismo e os perigos da tolerância

O comportamento legalista de comandar um "não julgamento" encerra dois perigos: o de produzir comodismo e o de tolerar o pecado. A postura cômoda de não enfrentar uma ideia antagônica torna-se perigosa por produzir indiferença quanto à verdade. Exalta-se a ignorância, com o pretenso argumento de que "no dia do Juízo Deus trará a lume todas as coisas, e que para isso não estamos preparados". Ora, Deus nos deu discernimento para usá-lo; se não o fazemos, cometemos pecado. O fato, ademais, de não termos como vislumbrar um julgamento futuro de todas as coisas não nos dá o direito de ignorarmos o ensino do exercício do juízo, inclusive para assuntos relacionados à nossa jornada nesta terra. E ainda: exercemos nesta vida propósitos e promessas que nos são dadas por Deus, e para tanto ele dá pessoas como juízes, inclusive para executar juízos em seu Nome. Relegar ao "etéreo" é uma forma de escapar da realidade, um recurso ridículo diante da seriedade com que a justiça divina deva ser levada. Por pura negligência, causada pelo comodismo, ações não são corrigidas hoje, e com isso mais vítimas são feitas pelas obras da injustiça.

Além disso, busca-se evitar o conflito pela pretensa tolerância. Comportamentos, organizações e fatos têm clara omissão em nome de uma cordialidade que não deveria existir. Deus chama os pecados pelo nome, e assim deve ser para conosco. Não se defende a "falta de educação", tampouco a falta de compromisso trazida pela tolerância exacerbada. Esse comportamento esconde medo do confronto, de uma indesejável exposição, afora outras consequências advindas de um comportamento mais ousado, desde que esteja seguramente pautado pela Palavra de Deus. O crente deve repudiar a tolerância a qualquer custo: por conta de não agir dessa maneira, toleram-se comportamentos mundanos no seio da igreja, a penetração de doutrinas estranhas que dividem o povo, a semelhança cada vez maior de cultos com shows e espetáculos produzidos por ímpios, dentre outras características que trazem repulsa ao Senhor e serão objeto de julgamento naquele Dia. E se somos do Senhor, devemos repudiar exatamente as mesmas obras, sob pena de sermos julgados pecadores por conivência ao aceitarmos conscientemente algo que Deus condena. O limite da tolerância está naquilo que contrarie, ainda que sutilmente, os ensinamentos das Escrituras. O pecado deve ser tratado como pecado, não como um "sentimento negativo" ou uma "energia do mal". Erros doutrinários devem ser tratados como problemas passíveis de eliminação da seara do Senhor. Tais ideias podem soar como "radicais", mas o ensino de Cristo é radical! Se não fosse assim, por que a Palavra foi comparada como espada? Jesus trouxe a espada, não a paz da falsa tolerância! Não se pode tolerar o pecado: caso tivessem sido tolerantes, Ló e sua família jamais teriam escapado de Sodoma.

Conclusões

Dessa maneira, podemos concluir que:

  • Julgar não é um mau em si mesmo, pois a tudo devemos examinar e reter o que é bom.
  • Julgar é necessário, pois é coerente com o discernimento que possuímos da parte de Deus.
  • Julgar não é tarefa exclusiva de Deus, pois se O imitamos, temos dele a propriedade para exercer juízo sobre todas as coisas.
  • Julgar, porém, deve ser feito sob o exercício da justiça, para não produzir o efeito contrário.
  • Julgar, ainda que contrarie o argumento da pretensa tolerância, deve ser efetivado, pois o crente verdadeiro não concorda com aquilo que a Bíblia chama de pecado, tampouco vem a exercer, em sua vida particular, comportamentos que o levem a ser incluído entre os mentirosos e os hipócritas.
  • Julgar é um ato de obediência à verdade e de amor a Deus, pois Ele é justo e ama a justiça.

Dessa maneira, que ninguém venha a condenar o leitor na sua nobre e necessária atividade de julgar. Que isso seja feito em plenitude, de modo justo e imparcial. Quem é de Deus não se dobrará à chantagem de um argumento que, baseado na mentira, no egoísmo, na falsidade e na corrupção, tenta promover exatamente o contrário da justiça: a tolerância com o erro.

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Obra de referência:
KUIPER, Doug. Julgar: O Dever do Cristão (trad. Felipe Sabino de Araújo Neto). Covenant Protestant Reformed Church. Disponível em http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_judging.htm. Acesso em 23/05/2010.

sábado, 20 de novembro de 2010

Teologia do Deus imperfeito de Ed René, Ricardo Gondim e Elienai Cabral Jr.


Por Leonardo Gonçalves


DEUS DE TÃO PERFEITO conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?[..] Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.


(Elienai Cabral Jr.)


Existe neste país uma nova tendência teológica. Nada de novo, confesso, apenas mais do mesmo, importado e requentado no microondas da filosofia pós-modernista. Existencialistas de verve trágica, mais amigos de Sartre e Nietzsche do que Jesus de Nazaré, os novos teólogos brasileiros falam de teologia de modo muito apaixonado, mas parecem definitavemte ter saído dos trilhos. Afim de contextualizar com a geração emergente, estes pensadores repaginaram a fé, dando a ela um toque de relativismo e mística medieval, criando assim uma "outra espiritualidade", bem nos moldes daquela que Paulo condenou em Gálatas 1.8.

Bastante sutis, os arautos deste novo cristianismo conseguem cativar as mentes daqueles que estão enfadados com a igreja, e entre eles fazem escola. Na vanguarda da denúncia, os profetas da burguesia vão destilando toda sorte de impropérios contra os pregadores de prosperidade, carros e mansoes, e assim ganhando a simpatia daqueles que noutro tempo padeceram debaixo das garras malignas dos marajás do evangelho. Enquanto isso, tais como serpentes traiçoeiras, vão minando a base do cristianismo histórico, e roubando a glória e majestade que a Deus pertencem. No lugar do Onipotente, apresentam um deus fraquinho, raquítico. Um Deus imperfeito, ao invés daquele cuja essência é a perfeiçao. Definitivamente, uma outra espiritualidade.

No texto de Elienai Cabral, vemos o retrato de um Deus impotente, medíocre e pequeno. Em tese, o autor apresenta uma divindade oca, desprovida de glória e poder, constantemente desafiado por suas descapacidades e imperfeiçoes.

Negando a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a presciência dos fatos e a onipotência divina, a teologia dos "novos evangélicos" Ricardo Gondim, Ed René Kvitz e Elienai Cabral, simplesmente tiram Deus do cenário e introduz um ‘deus’ trapalhão e afeminado em seu lugar.

Não nego que os ensaios espiritualistas como este de Elienai podem parecer poeticamente atrativos, mas as heresias que recheiam suas linhas são extremamente nocivas, e precisam ser combatidas. Como calar-me diante de tamanha afronta? Não é a mim que eles diminuem e desprezam com seus conceitos relacionais, mas ao Soberano Senhor cuja glória enche a Terra. É o Deus vivo que está sendo reduzido, relativizado e transformado em um fracote que carece de tomar Biotônico Fontoura. Pobre deus; mal pode consigo mesmo!

Acerca dessa falsa teologia, Tomas C. Oden, em uma edição da revista americana Chistianity Today, declara:

“Conceber tal fantasia (um Deus finito e mutável) é incorrer em uma espécie de engano teológico cuja sutileza é maior do que se pode imaginar no que tange às explicações e conseqüências que tal conceito impõe à fé cristã”

Ora, meu amigo, o Deus da bíblia em nada se compara a essa pseudo-divindade humanista, e com o perdão da palavra, um deuzinho chulé, feito sob medida para filósofo ateu. O Deus bíblico é despótico, soberano, onipotente, onisciente, cheio de glória. Ele também é criador, sustentador, provedor e governador deste universo, e nenhuma coisa escapa ao seu absoluto controle; nem mesmo aquelas que as vezes não entendemos. Ele não se abriu a nenhum futuro desconhecido: Ele sabe o fim desde o começo e executa a sua vontade!

Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. - Isaías 46.9-10

Louvado seja Cristo, o kyrios despotes – Soberano Senhor – aquele cujos projetos não falham, que vela pela sua palavra para que se cumpra. Este sim, é digno de toda honra e louvor. Um Deus em quem a gente pode confiar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O ENEM Gospel


Por Fernando Galli




Já imaginou se fosse realizada em nossas igrejas uma avaliação de como anda o conhecimento bíblico do povo cristão, através de uma prova tipo ENEM? Pois bem! Então, após as correções, obtivéssemos as seguintes respostas:

1. Definição de Trindade
  • "Trindade é o ensino de que Deus é uma pessoa que sai três dentro dele".
  • "Ela ocorre quando Deus se manifesta como Pai, Filho e Espírito Santo".
2. O que ensina a doutrina das penas eternas?
  • "Penas eternas é quando os salvos de lá do céu sentirem penas eternas daqueles que perderam a salvação".
  • "Penas eternas só quem tem é a pomba que apareceu no batismo de Jesus".
3. Quem são os anjos e quais são as classes ou categorias de anjos?
  • "Os anjo são seres com asas, que moram no céu, e se devidem em: anjo quero-bem, anjo serafim, anjo-da-guarda e anjo de luz".
  • "Os anjos são criaturas maravilhosas, rápidos no agir e devagar no fugir."
  • "Os anjo se dividem em duas categorias: Os bãos e os ruim. Os bãos são o Gabriel, o Miguel e o Peniel. Os mau são Satanaiz, os demônios, como o Trancarrua, Zé Pilantra, Exú Boiadeiro, e hetecétira.
4. Como o pecado entrou no mundo?
  • "O pecado entrou no mundo através duma serpente, que fingiu ser gente".
  • "Discordo plenamente do meu colega ao lado, que acabou de escrever que foi através da maçã. Não foi maçã, mas foi outra fruta, chamada árvore do bão e do mau."
5. Quem escreveu o Livro de Apocalipse e para quem?
  • "O livro de Apocalipse foi escrito por João Batista, na ilha dos Plátanos, para todo aquele que tiver ouvido e ouva."
  • "Foi João, para as igreja da Házia menor."
  • "Não se recordo se foi Primeiro João, Segundo João ou Terceiro João. Foi um deles. E ele escreveu para umas igrejas que estavam dando poblema naquela época".
6. Defina Profecia.
  • "Profecia é a capacidade que os profeta tem de mesmo estando no passado falar do futuro."
  • "A profecia é uma declaração do profeta que deixa o povo esperando para ver se vai acontencer ou não."
7. O que você entende por calvinismo?
  • "Calvinismo é um problema que dá no coro cabeludo, deficiência esta que acaba resultando em careca".
  • "Calvinismo é quando Deus seleciona os que vão para o céu, e é o oposto do arminismo, que Deus seleciona os que vão para o inferno."
8. Por que Moisés não entrou na Terra Prometida?
  • "Porque ele bateu a vara dele com toda a força na rocha, saiu água demais e ele morreu afogado".
9. Qual o nome dos doze apóstolos?
  • "Se não me falha a memória, foram Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Pedro, Paulo, e Judas Iscarioca".
  • "Só me lembro de seis: Dois Tiagos, Bartolomeu, Pedro, Céfas e Simeão. Mas apóstolo e ganho que ninguém vai lembrar os doze".
10. Qual o nome que se dá aos evangelhos não reconhecidos pela Igreja como Inspirados?
  • "Evangelhos hipócritas".
  • "São chamados de Livro de Mórmon" e "evangelho segundo o Ispiritismo".
11. Quais são os ofícios de Cristo?
  • "Carpinteiro, e diga-se de passagem, um ótimo carpinteiro, melhor que o pai dele. E talvez soubesse fabricar vinho."
12. Quais as formas de governo utilizadas pelas igrejas cristãs?
  • "Ditadura nas A D, Patriarcal no G-12, papai e mamãe na Renascer, franquia na presbiteriana, imperial na episcopal, papal no catolicismo e anárquico nas batistas."
13. Quais são os atributos de Deus?
  • "Os que não pertencem a César."
  • "Os comunicavéis, como a fala, por exemplo, e os incomunicáveis, ou seja, que não podem ser comunicados".
14. O que você entende por Escatologia?
  • "Puxa vida! Eu tinha posto esta matéria como uma das últimas coisas a ser estudada, mas não tive tempo."
15. Defina expiação.
  • "Uma coisa muito feia que os curiosos fazem".
  • "Expiação é o que os expiões, como Josué e Calebre, fizeram, ao expionarem a terra de Caanã."
  • "Expiação foi o que Jesus fez na cruz: Expiou e entregou o espírito".
16. Qual o significado da palavra Gênesis?
  • "Para começo de conversa, Gênesis foi o escritor do Livro que leva o seu próprio nome. Mas o significado, em si, significa origem."
17. Onde Jesus foi batizado?
  • "Na água".
18. Que ato divino libertou os Israelitas dos 430 anos de escravidão no Egito?
  • "O Rei Faraó do Egito que governava a nação egípcia, saiu correndo atrás de Moisés. Moisés atravessou o Mar Vermelho em terra seca, mas quando Faraó pisou na areia, veio água prá tudo lado que nem o cavalo dele conseguiu sobreviver."
19. Como se deu a conversão de Saulo?
  • "O apóstolo Saulo estava indo para uma cidade, cujo nome não me lembro sei que é nome de fruta, quando derrepente uma lus brilhou no rosto dele. A voz disse: Saulo Saulo Saulo, de onde vens? E Saulo, já convertido respondeu: De percorrer a terra e de andar nela."
20. Escreva o que você sabe sobre Timóteo?
  • "Era filho de Volóide, cujo filho era Timóteo."
  • "Discípulo de Jesus que morou lá pelos lados da Grécia naqueles dias".
21. Que seitas judaicas havia nos dias de Jesus?
  • "Farizeus, sadomasoqueus, filesteus e os jamorreus".
22. Narre, em poucas palavras, o primeiro milagre de Jesus.
  • "Depois que acabou todo o vinho, que não tinha uma gota, ele multiplicou o vinho."
23. Quais foram as atitutes de Pedro que o qualificavam como homem de personalidade impetuosa?
  • "Quando ele viu Jesus chorando, gritou: "Lázaro, anda e levanta!"
  • "Ele cortou as duas orelhas que o soldado romano tinha".
  • "Pedro, na desfiguração de Jesus, quis subir no monte das oliveira para armar uma tenda para Jesus, Elias e Moisés".
  • "Ele disse a Jesus: Antes que o galo cante, eu não te negarei três vezes".
24. Como o Espírito Santo de Deus foi derramado no Pentecostes?
  • "De cima para baixo".
  • "Uns fogo apareceu nas cabeça dos dicipro, que começarum a falar em linguas, assim: Odecantalabaxurianéviamalafalhaasúbia."


O objetivo dessa matéria não foi brincar com a Palavra de Deus, mas criticar a falta de conhecimento daqueles que vivem rodopiando nas igrejas, acreditando nos embalos de sábado de manhã, que perdem o seu tempo com cultos a homens, em vez de usá-lo para crescer na fé.


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/11/o-enem-gospel.html#ixzz14ybsBjUk
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A farsa profética de um paipóstolo

Por Nani



A carta é longa e como foi postada como uma imagem, não pude destacar os pontos mais controversos. Mesmo assim chamo a atenção para o sonho profético presente no penúltimo parágrafo (sem contar a despedida).
Antes de fazer meus questionamentos, quero relembrar com os leitores algumas falas de Renê Terra Nova. Fiz uma timeline dos acontecimentos envolvendo a campanha política empreendida pelo paipóstolo:





Lembrando que o candidato do PSDB não teve 45 milhões de votos, mas sim 43.711.388. Será que mesmo após a eleição, o paipóstolo continua soltando mensagem subliminar para o Serra?

Resumo da ópera: para salvaguardar o seu suposto dom de profecia após a derrota de seus candidatos (Marina no primeiro turno e Serra no segundo turno), Terra Nova disse que sabia dos resultados da eleição 1 semana antes do dia de votação (31/10). Essa nova carta nos remete a algumas perguntas:

  • se Terra Nova sabia dos planos de Deus para Dilma, por que fez propaganda para José Serra até o último momento? Ele não confia na direção de Deus para o nosso país?
  • por que o nome de Dilma nunca é mencionado nessa nova carta? Será que dá azar???
  • quem são os Profetas do Brasil que tomaram posse da nação com "essa senhora"?
  • por que guardar segredo de uma profecia tão importante para o país? Só os pastores de São Paulo e o Marcel são dignos de receber essa profecia?


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/11/rene-terra-nova-quer-ser-messias-gizuz.html#comments#ixzz14jLbIwzA

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Seminário - 7ª Temporada

Há duas semanas teve início o sétimo e último semestre do seminário. Por 3 anos abdiquei das minhas tardes de sábado para me dedicar a algo que poucos cristãos fazem hoje: estudar a Bíblia e desvendar todas as nuances, peculiaridades e minúcias das Sagradas Escrituras.

Olhando em retrospecto, nem parece que se passou tanto tempo assim. Quando comecei, estava namorando há pouco mais de um ano; hoje já estou casado há quase um ano. Quando comecei, era apenas mais um crente novo na fé ansioso por entender os mecanismos da fé cristã e todas as implicações da mensagem da salvação; hoje tenho um conhecimento muito maior do que jamais esperei que teria; toda a bagagem de informação adquirida nestes 3 últimos anos só me aproximaram mais de Deus, mas ainda não consegui elencar todas as implicações da mensagem da salvação pq elas são vastas, quase infinitas e, nesta curta vida, com todas os seus compromissos e correrias, temo não conseguir fazê-lo, mas não me preocupa muito, pois o pouco que descobri já é tão impactante que demanda meditação de toda uma vida.

Houve alguns momentos em que pensei em jogar a toalha. Mas não desisti e continuei firme, apesar da correria, da pressão e das exigências inerentes ao curso. E foi com um bocado de tristeza que vi amigos meus começarem depois de mim e largarem os estudos no meio. Me faz pensar na importância que eles dão para as suas vidas espirituais, mas até aí, cada um reage às adversidades de acordo com suas habilidades.

Este semestre começou puxado. Ao contrário dos outros que tinham 4 matérias cada, cursarei 5 matérias, listadas abaixo:

Cristologia (Doutrina de Cristo)
Evangelismo - Teoria e Prática
Auto-Confrontação I
Síntese Bíblica do Antigo Testamento II
Pneumatologia (Doutrina do Espírito Santo)

As outras matérias já cursadas são as seguintes:

Bibliologia
Angelologia (Doutrina dos Anjos)
Síntese Bíblica do Antigo Testamento I
Síntese Bíblica do Novo Testamento
Seitas e Heresias
Missiologia (Doutrina de Missões)
Eclesiologia (Doutrina da Igreja)
Tabernáculo
Libras (Linguagem dos Sinais)
Teologia (Doutrina de Deus)
Escatologia Bíblica (Doutrina do Fim dos Tempos)
Hermenêutica Bíblica
Princípios Práticos para Vida Cristã
Geografia Bíblica do Antigo Testamento
Dispensações
Soteriologia (Doutrina da Salvação)
Hamartiologia (Doutrina do Pecado)
Tabernáculo
Auto-Confrontação II (Aconselhamento para Casais)
Temperamentos
Pedagogia da Escola Bíblica Dominical


Fazer seminário é investir em si mesmo. Quando comecei, achei que todo cristão que efetivamente serve a Deus deveria fazer isso. Hoje, às vésperas de me formar, tenho certeza.

E antes que me perguntem, já digo que NÃO, não me tornarei pastor (e nem quero ser um) e não tenho chamado ministerial pastoral. Deixo isso para os que tem os skills necessários. Definitivamente não é o meu caso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A mentira de que tudo é verdade.


Por Jorge Fernandes Isah



“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” [Jo 17.17]


Este versículo derruba qualquer expectativa dos pós-modernistas de santificação. Também lança por terra as esperanças dos relativistas. Dos liberais. Dos mentirosos, e, sobretudo, daqueles que amam a mentira. Não há possibilidade de santificação fora da verdade; e sendo a palavra de Deus a verdade, fora dela o homem permanece morto em seus delitos.


A Escritura desmente às afirmações e tendências teológicas modernas de que se é possível a salvação sem Cristo, sem a Palavra. Baseados no sentimentalismo suicida da alma natural ela crê não ser necessário nem um nem outro para se alcançar a intimidade com Deus. Na verdade, esse homem está depositando todas as suas fichas num prêmio que acredita ser capaz de obter por seus próprios meios, mas que o deixará exatamente no mesmo estado em que se encontra: condenado.


É interessante que as religiões, mesmo o “cristianismo” humanista, proclama que qualquer caminho pode levar a Deus. De que a importância está naquilo que o homem tem no seu íntimo, no seu desejo de encontrá-lo. Mais surpreendente ainda é que a cosmovisão desse mesmo homem o levará à destruição, pois o que há nele além do mal? “Porque não há retidão na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras maldades, a sua garganta é um sepulcro aberto” [Sl 5.9].


A falácia de que se o homem for sincero Deus se apiedará dele, não passa de uma desculpa esfarrapada para a autopreservação do pecado. Não há garantia de que a sinceridade na mentira produzirá a santidade. Pelo contrário, a santidade é possível apenas na verdade. E se não houver santificação, não há salvação. Por toda a Escritura este conceito está delineado, podendo ser resumido da seguinte forma: “Como está escrito: Sede santo, porque eu sou santo” [1Pe 1.16]; e, “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” [Hb 12.14]. Cristãos professos, mas que acreditam possível manter uma vida impiedosa, sem arrependimento, sem frutos para a glória de Deus, estão esquentando os bancos das igrejas, enganam-se a si mesmos, pois sobre eles permanece a ira do Senhor [Jo 3.36].


Igualmente, os que não crêem na Bíblia como a fidedigna palavra de Deus, considerando-a um livro moral como outro qualquer; ou aqueles que a interpretam equivocadamente [guiados por suas mentes carnais e não pelo Espírito]; ou os que a negligenciam, relativizam, duvidando de sua historicidade; em suma, os que não a têm por fiel, inerrante, infalível e, portanto, verdadeira, jamais verão a Deus. Podem ser sinceros o quanto for. Podem ser eruditos o quanto for. Podem apresentar as mais plausíveis e convincentes argumentações para desacreditá-la. Podem mesmo tê-la à cabeceira da cama como um adorno, como um amuleto, ou como um livro de “máximas humanas”; podem admirá-la, e considerá-la com respeito; porém, se não for a verdade absoluta, o próprio Deus falando com o seu povo, de nada servirá todo o seu esforço; porque está direcionado à mentira, à insensatez, de tal forma que manterá o pecado intocado, intacto, em seu efeito de produzir o homem morto para Deus.


Então, o ponto é: qualquer que seja o padrão da mentira, sua eficácia anula o conhecimento de Deus; e seus frutos permanecem latentes, à espera de se abrir as portas do Inferno.


Por isso, na oração, o Senhor não está a falar de todos os homens. O contexto de João 17 é delineado pelas palavras de Cristo: “para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste” [v.2]; “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste” [v.6]; “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” [v.9]; “Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu” [v.12]; e outras citações mais no texto sagrado. O que se evidencia e se torna patente na intercessão de Jesus é que não está a pedir por todos os homens, mas o seu alvo é definido, claramente delimitado: os que foram predestinados eternamente para serem conforme a Sua imagem. O fato da oração acontecer imediatamente após falar com os discípulos [v.1], não deixa dúvidas de por quem pedia: os eleitos, os salvos.


Como os réprobos não podem e jamais poderão ser santificados [não depende deles, mas de Deus], ainda que ouvindo a palavra, o resultado será o oposto ao produzido nos eleitos: a rejeição à verdade. O Evangelho gera salvação no eleito, e condenação no réprobo porque a palavra “há de julgar no último dia” [Jo 12.48]. O fato é que, como verdade, ele condena a mentira; e todo aquele que não pratica a verdade, “não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” [Jo 3.21], já está condenado.


Dizer que tudo é verdade, é mentira. Acreditar nela, levará a uma verdade: a morte eterna.


Não se pode esquecer que Cristo é a verdade [Jo 14.6], e também a palavra [1Jo 5.7]. Logo a santificação somente é possível por Ele. E qualquer que diga o contrário é mentiroso, ainda que sincero; porque a mentira sincera é a mais extrema manifestação de estupidez e ignorância.


Sem entrar em todos os pormenores envolvidos na santificação, o que o verso introdutório está a dizer é muito claro: ninguém pode ser santificado no engano, no erro, na falácia. Apenas a palavra de Deus é a verdade; e nela, o novo-homem, o eleito, será santificado, em obediência a ela.


Sem nos esquecer de que a salvação e a santidade foram determinadas na eternidade, e ambas acontecerão infalivelmente, aos eleitos, pelo poder de Deus.



E isto é a mais pura verdade.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reflexões...


Ontem concluí o curso de Escatologia Bíblica (Doutrina do Fim dos Tempos) junto aos adolescentes na EBD.

O curso durou pouco mais de 6 meses, aproximadamente e também ontem, num concurso bíblico que ocorreu durante o culto, os alunos deixaram seu professor orgulhoso pois acertaram 90% das questões que lhes foram perguntadas.

Lá atrás, achei que seria uma loucura ensinar escatologia para uma gurizada tão heterogênea em personalidades quanto nas suas idades (12-17 anos). Afinal, se termos como "amilenismo", "pré-tribulacionismo", "70 semanas de Daniel", "selos abertos", "falsa religião" já deixam adultos de cabelo em pé, que dirá aquela molecada...

Mas na verdade, o curso veio de um pedido deles. "Dani, ensina o que é tribulação pra gente"... E aí vc se pergunta: como montar um curso tão complexo quanto este para esse pessoal? Muita oração e preparação e pronto. Houveram alguns problemas (particularmente, achei que a aula que dei sobre o Anticristo foi péssima), mas no geral, pude perceber o interesse deles sendo demonstrado - e que aumentava conforme o assunto ia ficando cada vez mais complexo. E pude comprovar uma teoria minha que doutrinas bíblicas são assuntos interessantes para crentes de qualquer idade, de 8 a 80 anos. Se você, que é professor de EBD está percebendo que a sua classe está dispersa, não pense duas vezes: doutrina na moçada.

Também pude constatar o fascínio que é contribuir para uma consciência cristã mais crítica e mais centrada nas Escrituras. Em tempos como os nossos, onde os cristãos se deixam levar por todo vento de modismos e babaquices nas igrejas, poder ensinar doutrinas bíblicas para um grupo e testemunhar o crescimento espiritual deles por causa disso é motivo de regozijo... Glória a Ele, sim, Ele sem o qual eu jamais poderia ter ministrado o curso, nem escrevendo este post agora.

E o que vem depois de escatologia para a gurizada? Deus sabe... hehehehehe