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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[Correria para o Oscar 2013] LINCOLN

(idem, Steven Spielberg, EUA, 2012)


Spielberg se recupera, pelo menos em parte, daquela coisa quase pavorosa chamada Cavalo de Guerra.

Contudo, Lincoln é verborrágico ao extremo, tratando mais de um período específico da vida do célebre presidente (o fim da guerra civil e abolição da escravatura) do que de sua vida como um todo e se entrega sem parcimônia à disputas políticas e intrigas palacianas. É mais um “tributo”  à História do que um “filme”, propriamente dito. Para quem gosta de História como eu, o filme vai empolgar e ser uma ótima experiência. Para os que não, será uma experiência torturante e quase infinita de 153 minutos.

Neste ponto, acho que Spielberg ainda precisa voltar à sua boa forma, já que parece ter feito um filme de nicho específico, não dialogando com o público como um todo.

Mas mesmo assim, o filme acaba se revelando bastante interessante e curioso ao mostrar o presidente que é um ídolo de toda uma nação utilizando-se de expedientes pouco ortodoxos para conseguir o que quer. Não é sempre que se retrata um herói imaculado tomando decisões questionáveis, como, por exemplo, optar por seguir com uma guerra insana porque a manutenção da mesma é necessária para se obter algo que ele pretende.

Apesar de gostar do filme, não sinto que seja o caso para 12 indicações ao Oscar... Se bem que sendo um discurso a favor do super-mega-idolatrado Abraham Lincoln, o coração patriota dos membros da Academia parece ter sido tocado... Enfim, tá tudo em casa... 

4/5

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cinema 2012: As Aventuras de Tintim

(The Adventures of Tintim, Steven Spielberg, EUA, 2011)

Estou começando a achar que essa história de fazer dois filmes por ano não faz muito bem ao Spielberg. Pode ter funcionado lá em 1993 (quando ele fez, de uma vez, Parque dos Dinossauros e o premiado A Lista de Schindler) ou em 2005 (Guerra dos Mundos e Munique), mas em 2011 demonstrou ser uma furada.

Embora este Tintim seja mui superior a Cavalo de Guerra ainda assim fiquei com a impressão de algo bem genérico, aquém de toda aquela vibração que os filmes do cineasta causam no expectador. E aqui ele bebe de sua melhor fonte, Os Caçadores da Arca Perdida, seu segundo melhor filme, lançado em 1981 que mostrou ao mundo um de seus heróis mais queridos: o arqueólogo Indiana Jones.

E embora o filme seja extremamente movimentado, é permeado de um espírito pueril com alguns momentos de perigo realmente evidente. Problema do material original, talvez? Pode ser... Talvez funcione como algo adrenalínico para crianças de 6 anos.

De qualquer forma, o 3D é apenas funcional, mostrando mesmo a que veio na perseguição alucinante no final que coloca o expectador dentro da tela e da ação (que penso eu, ser o propósito primário do 3D o que deveria acontecer em TODA a projeção e não apenas em alguns momentos). Por outro lado, a animação é excepcional, sendo referência para qualquer filme que veio antes e certamente para os que vierem depois deste aqui. De destaque também a trilha do octogenário mestre John Williams que nos remete a um tipo de cinema bem antigo, da época do personagem principal (anos 40) que infelizmente não mais existe.

No mais, é apenas mais um filme do Spielberg. Muito bom? Sim, com certeza. Mas fica a impressão de que o mestre já fez coisa muito melhor e pode ainda fazê-lo. Quem sabe com o novo Lincoln, biografia do famoso presidente americano a ser lançado no final do ano?

3/5

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Top Steven Spielberg


Aproveitando que o mestre está em cartaz atualmente com dois filmes ("As Aventuras de Tintin" e "Cavalo de Guerra") compartilho o rank dos filmes dele que vi em ordem de preferência:

01. Encurralado (1971)
02. Os Caçadores da Arca Perdida (1981)
03. Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977)
04. Guerra dos Mundos (2005)
05. A.I. - Inteligência Artificial (2001)
06. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008)
07. Tubarão (1975)
08. Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984)
09. Indiana Jones e a Última Cruzada (1989)
10. E.T. O Extraterrestre (1982)
11. Minority Report (2002)
12. O Resgate do Soldado Ryan (1998)
13. O Mundo Perdido - Jurassic Park (1997)
14. Parque dos Dinossauros (1993)
15. Além da Eternidade (1989)
16. Prenda-me Se For Capaz (2003)
17. Cavalo de Guerra (2011)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cinema 2012: Cavalo de Guerra

(War Horse, Steven Spielberg, EUA/ING, 2011)

"Está mais para Sessão da Tarde, bem típico para você colocar seu filho de 3 anos para assistir e isso não é bem um elogio"

Essas palavras não saíram de um crítico enfurecido com a nova empreitada do mestre Spielberg depois de 3 anos de seu último filme (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal) mas da minha esposa quando subiram os créditos.

A princípio, quando Spielberg anunciou o projeto pensei "caramba, o cara agora vai fazer 'Corcel Negro 3'?" Mas daí vieram mais informações, de que o filme se passaria durante a I Guerra Mundial (pouco abordada no cinema), que abordaria uma perspectiva inusitada, ou seja, veríamos todos os acontecimentos pelo olhar do cavalo e aí pensei "bom, vamos ver o que o Spielberg vai fazer com isso". Excelentes filmes saíram de premissas manjadas. Por outro lado, premissas manjadas já geraram filmes manjados e sonolentos.

E esse é quase o caso de Cavalo de Guerra. Não consegui ver razão para Spielberg fazer este filme. Em muitos momentos parece um plágio do que Spielberg é capaz de fazer, fiquei procurando aquele diretor que nos deu E.T. - O Extraterrestre e Contatos Imediatos do Terceiro Grau para ficar apenas nos filmes "família". Ressalto aqui que não há ressalvas quanto à parte técnica que é impecável, com direito a um alaranjado na cena final que lembra E O Vento Levou. Falo plágio porque Spielberg parece que não consegue fazer drama aqui sem apelar, embora já o tenha feito de forma sublime (como no subestimado A.I. Inteligência Artificial). E mais, seu otimismo costumeiro (que em si mesmo não é ruim, diga-se) é intensificado aqui de forma quase horripilante onde as desventuras vividas pelo cavalo nunca provocam aquela sensação de perigo e veja que o filme se passa no meio da I Guerra! E pra piorar, tudo dá incrivelmente certo! Assim, quando o cavalo é submetido a um exercício de sofrimento extasiante ao carregar um canhão alemão junto com outros cavalos, você já sabe que ele vai superar essa porque lá no começo do filme vemos o protagonista superando o desafio de arar um solo extremamente difícil, não sendo um cavalo apropriado para tanto.

Mas não é só! O cara não se decide se faz um filme de guerra com cavalo ou se faz um filme light com a guerra como pano de fundo. Essa indecisão compromete cenas que per si, tinham que ser brutais, mas que Spielberg, preservando seu público, o priva de contemplar os horrores da guerra. Personagens importantes morrem off screen, creio apenas para evitar chocar uma platéia mais jovem a quem o filme seria supostamente destinado. 

Não que o filme seja arrastado ou coisa do tipo. A bem da verdade, Spielberg mantém o ritmo constante durante os 146 minutos de duração, mas é impressiona o quanto este filme é genérico e no pior sentido. É como se Spielberg estivesse se auto parodiando sem precisar disso. E estranha ainda mais o filme ter sido indicado ao Oscar este ano, talvez seja só para manter a tradição "um filme de Steven Spielberg" dentro da lista dos premiáveis.

Por outro lado, o diretor se esbalda na plástica de seu filme e entrega aquela imagem grandiosa que estamos todos acostumados a esperar dele. Ficou apenas faltando entregar aquele "algo mais".

De todos os filmes do diretor que já assisti, sem dúvida alguma é o mais fraco, ainda que não totalmente ruim. Talvez quem sabe quando o Daniel Jr tiver 3 anos o filme tenha alguma utilidade... 

3/5 

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sessão Cinema: Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

Voltando um pouco aos filmes...

Representante comercial viaja com seu carro pelas estradas desérticas da Califórnia e topa com um caminhão tanque que resolve perseguí-lo sem razão aparente.

Com esse fiapo de história, Spielberg estréia na direção de cinema e faz sua primeira e melhor Obra Prima.

Estudo de suspense, toques de paranóia, tensão de roer as unhas, o clássico duelo homem x máquina... Hitchcock deve ter aplaudido de pé. Talvez o mais assustador neste filme, conforme as palavras do próprio Spielberg seja o lance de nunca mostrar o motorista do caminhão. Desta forma, toda e qualquer humanização ou explicação racional que possa existir para justificar o que está acontecendo cai por terra e sobra apenas o desconhecido, que gera aquele medo primitivo em qualquer ser humano médio.

Contudo, o que também impressiona é a capacidade de Spielberg de criar uma atmosfera tensa e angustiante durante os 90 minutos de projeção e não deixa a peteca cair em momento algum. Há de se considerar também que ser perseguido por um caminhão numa estrada deserta não é algo tão incomum havendo relatos de pessoas que dizem ter sido "pressionadas" durante parte de suas viagens por caminhões que pareciam guiar-se sozinhos, vivos, conscientes e com capacidade de passar por cima de quem estiver no caminho.

Nunca pensei que me seguraria na poltrona novamente depois de ter visto este filme tantas vezes nos últimos 13 anos (a primeira vez foi numa madrugada de sábado na Globo, lá por volta de 1996, quando a Globo ainda passava filmes bons na programação). Mas foi exatamente o que rolou aqui. Todo cinéfilo deveria ter este filme na coleção. E com som DTS ele fica ainda mais assustador.

5/5